São Paulo - Em setembro de 2013, a empresa de
tecnologia SAP anunciou um projeto ousado na cidade
alemã de Waldorf. A companhia colocou como meta ter 1% de autistas em seu
quadro global de 65 000 empregados até 2020. A fase de recrutamento e
capacitação já começou e, no primeiro semestre de 2014, pelo menos oito autistas
já devem estar nas áreas de teste de software e programação.
Inovador, o projeto repercutiu no mundo todo.“Essas
pessoas precisam de um investimento de longo prazo e contínuo, por isso é
difícil ver autistas ocupando vagas. É um funcionário de custo alto”, afirma a
psicóloga Leila Bagaiolo, fundadora do Grupo Gradual, focado na intervenção
comportamental de pessoas com desenvolvimento atípico.
Tanto pelo alto custo como pela falta de uma
cultura de inclusão, no Brasil esse movimento ainda é bastante tímido. Segundo
dados do censo do IBGE e da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais), existem no país 45,6 milhões de brasileiros com algum tipo de
deficiência.
Desses, apenas 306 000 fazem parte da população
economicamente ativa. “Infelizmente, em nosso país a maioria contrata para
cumprir cota, não por acreditar que o deficiente possa desempenhar bem
determinada função”, afirma Renata Casimiro, diretora de RH do i.Social,
consultoria especializada em recrutamento e seleção de pessoas com deficiência.
“Já deparamos com situações absurdas, como a do
empregador que contratou um funcionário e o deixou num canto fazendo
artesanato.” Se existe resistência em contratar profissionais com deficiência
física, a pessoa com limitação intelectual exige um esforço ainda maior de
inclusão e, portanto, está mais distante do mercado de trabalho.
“A procura por autistas, por exemplo, é menor
porque as organizações só enxergam problemas”, diz Marcelo Vitoriano, gerente
nacional de inclusão da Associação para Valorização de Pessoas com
Deficiência (Avape). “De fato, a integração oferece dificuldade, mas, se
identificados o perfil da pessoa e o tipo de apoio que precisa, ela poderá
desempenhar muito bem suas funções.”
Mais do que dificuldade de integração e
preconceito, o Brasil enfrenta outros obstáculos para a entrada de deficientes
intelectuais no mercado de trabalho: falta informação sobre o assunto e
estrutura de apoio a essas pessoas. Muitas vezes, a síndrome ou deficiência é
diagnosticada e acompanhada tardiamente e, com isso, as sequelas se tornam
maiores.
“No Brasil, falta estrutura na educação e até na
saúde para a identificação rápida de doenças e deficiências, o que prejudica o
desenvolvimento dessas pessoas”, diz o psiquiatra Sérgio Tamai, da Associação
Brasileira de Psiquiatria (ABP). “Outros países, como a Alemanha, estão em
outro nível, por isso projetos como o da SAP são possíveis.”
Por aqui, também são poucas as instituições sérias
que dão suporte a essas pessoas e seus familiares, o que dificulta a
disseminação de programas de inclusão bem-sucedidos.
“Estudamos uma
data para ampliar nosso projeto de inclusão para o Rio de Janeiro, mas estamos
com dificuldade para encontrar parceiros na cidade”, afirma Henrique Szapiro,
vice-presidente de recursos humanos e relações corporativas do Citi Brasil.
Fabiano Accorsi- EXAME
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Hoje se fala muito em gestão de pessoas, mais a incluir
colaboradores especiais em grandes grupos é cada vez uma tarefa mais árdua.
Como Fabiano consta nesta excelente matéria da Exame, vivemos em um pais que
existe um programa sério de inclusão de
pessoas especiais e nas empresas esta realidade se repete .
Em várias áreas de uma organização podemos aproveitar e
também aprender com eles, o setor se gestão Humana precisa identificar de
maneira correta as qualidades e limitações de cada um, e o acompanhamento
psicológico também e necessário e muito válido neste casos assim tanto a
empresa como o colaborador ganha .
Postagem: Cristiane Pires

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